Sobre os "Lugares do Tempo"
(…) Os seus poemas, os deste livro, não diferem – pelo tom, pela música (“embaixadora do poema”; Vivaldi é a batuta…”) e pela autenticidade – dos de “A Guardadora de Ausências”. E é de “ausências”, ainda que eles, os poemas falam.
Também Proust, com a varinha mágica das palavras, andou “em busca do tempo perdido”.
E esse, parece-me, o papel do escritor, do poeta: remexer “as areias depositadas pelo tempo”, “ilumina(r) (o recanto mais escondido) das lembranças”, lá onde estão guardados (onde foram “traçados”) os “hieróglifos da ternura”.
Albano Martins
30 de Abril, 2001